PF apura aporte de R$ 97 mi do Iprev de Maceió no Master
PF e CGU cumprem 8 mandados em Alagoas e SP para investigar aplicação de R$ 97 milhões do Iprev de Maceió em letras financeiras do Banco Master, liquidado pelo BC em 2025.
Rodrigo Vianna · Analista de mercado de trabalho global · 10 de agosto de 2026 · 4 min A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta segunda-feira (10), uma operação para aprofundar as apurações sobre supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master.
A operação é um desdobramento de investigações que miram a gestão de recursos previdenciários de Maceió. O caso ganhou contornos nacionais porque envolve um banco liquidado pelo Banco Central e um aporte milionário feito em dois momentos distintos.
O que está por trás do aporte de R$ 97 milhões no Master?
Segundo a PF, as suspeitas de possível gestão fraudulenta recaem sobre duas aplicações de recursos do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master. Em dezembro de 2023, o instituto aplicou R$ 97 milhões. Em maio de 2024, mais R$ 17 mil. As investigações buscam esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, de cotação, de análise de risco, de governança e de tomada de decisão que antecederam os investimentos.
O Banco Master, pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central (BC). Ao anunciar a medida, o BC informou que o Master havia violado normas do Sistema Financeiro Nacional e sofria com uma grave crise de liquidez.
Quem são os investigados na operação?
Oito mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos em cidades de Alagoas e São Paulo. Os alvos incluem:
- João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, que integrava o Conselho de Administração do Iprev à época dos fatos;
- Ronnie REYNER Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;
- Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;
- Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado;
- Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;
- Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.
Além das buscas, Mendonça decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores dos seis investigados, até o limite global de R$ 97 milhões.
O papel da consultoria Crédito & Mercado
Segundo a PF, a empresa de consultoria foi contratada pelo Iprev e teria participado da condução do credenciamento, da elaboração e da validação de análises e da formação documental das operações junto ao Master. Isso caracterizaria a "terceirização indevida da competência administrativa" do instituto de previdência.
Os agentes federais foram autorizados a apreender computadores, discos rígidos, pendrives, telefones pessoais ou corporativos, documentos físicos, agendas, anotações, contratos, comprovantes financeiros e outros elementos probatórios em endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados, além das sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.
As suspeitas de direcionamento dos investimentos
Em sua decisão, o ministro André Mendonça afirma que, ao pedir autorização judicial, a PF assegura ter indícios de "possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida".
"De acordo com a autoridade policial, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master", assinalou Mendonça, em seu despacho.
O que diz o Iprev
Em nota, o Iprev informou que "os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis". Segundo o instituto, o patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que garante "a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas". O Iprev disse ainda que está colaborando com as autoridades.
A reportagem ainda não conseguiu contato com os investigados citados. O espaço segue aberto para manifestação dos interessados.
Perguntas Frequentes
O que é o Banco Master?
O Banco Master é uma instituição financeira que foi liquidada extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central, após violar normas do Sistema Financeiro Nacional e sofrer grave crise de liquidez.
Quanto o Iprev aplicou no Master?
O Iprev aplicou R$ 97 milhões em dezembro de 2023 e mais R$ 17 mil em maio de 2024, em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.
Quem autorizou as buscas?
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, expediu oito mandados de busca e apreensão, além de decretar a indisponibilidade de bens dos investigados.
O que diz o Iprev sobre as aplicações?
O Iprev afirma que os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis, e que o patrimônio do instituto cresceu de R$ 400 milhões para R$ 1,6 bilhão desde 2021.