Pix amplia participação em bares e restaurantes, aponta Abrasel
O Pix respondeu por 20,5% das vendas presenciais em bares e restaurantes do país, segundo a Abrasel. O cartão de crédito ainda lidera, mas o pagamento instantâneo avança entre pequenos negócios e no Norte.
Rodrigo Vianna · Analista de mercado de trabalho global · 07 de agosto de 2026 · 5 min Pix amplia participação nos pagamentos em bares e restaurantes
O Pix respondeu por 20,5% das vendas presenciais em bares e restaurantes do país, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O levantamento ouviu 2.109 pontos comerciais. Embora o cartão de crédito permaneça como principal meio de pagamento, o sistema de transferência instantânea ganhou espaço entre pequenos estabelecimentos, redes de alimentação rápida e empresas das regiões Norte e Nordeste.
O Pix já é um meio de pagamento consolidado no setor. Em 2024, respondia por 16,5% das transações. Agora, o avanço ocorre principalmente à custa do dinheiro em espécie, que hoje representa apenas 8,3% das vendas presenciais.
Como o Pix se compara aos outros meios de pagamento
O cartão de crédito continua liderando em todas as regiões, com participação de 41,5% das vendas. Em seguida vem o cartão de débito, com 25,1%. O dinheiro em espécie aparece na sequência, com 8,3%, à frente do voucher, com 4,6%. O cheque, que já foi o principal meio de pagamento no país, responde por menos de 1% das transações.
O que os números mostram
- Cartão de crédito: 41,5%
- Cartão de débito: 25,1%
- Pix: 20,5%
- Dinheiro em espécie: 8,3%
- Voucher: 4,6%
- Cheque: menos de 1%
A pesquisa é mensal, mas esta é apenas a segunda vez que a Abrasel inclui uma sondagem sobre meios de pagamento. Na primeira edição, em 2024, foram ouvidos 1.466 comerciantes.
Pix cresce mais entre pequenos estabelecimentos
A adesão ao Pix é mais intensa entre as empresas de menor porte. Nos estabelecimentos com faturamento anual de até R$ 130 mil, o meio de pagamento responde por 30,4% das vendas de salão e balcão. Entre as empresas com faturamento de R$ 130 mil a R$ 360 mil, a participação é de 22,6%. Já nas que faturam entre R$ 360 mil e R$ 1 milhão, o índice chega a 24%.
O avanço é mais lento entre as empresas com faturamento anual superior a R$ 1 milhão, nas quais a participação do Pix varia entre 14,9% e 17,5% das vendas. Para o pequeno comerciante, o Pix reduz custos com taxas e agiliza o fluxo de caixa, o que explica a preferência.
O tipo de estabelecimento influencia o uso
O tipo de estabelecimento também influencia o uso do meio de pagamento. Nos estabelecimentos de alimentação rápida, o Pix já representa 24,6% das vendas. Nos restaurantes especializados, a participação chega a 21%. Em bares e casas noturnas, responde por 19,9% das transações. Nos restaurantes que servem refeições completas, alcança 17%.
A diferença reflete o perfil do consumidor. Quem busca comida rápida quer agilidade no pagamento. Quem vai a um restaurante completo tende a usar mais o cartão, muitas vezes por causa de programas de pontos ou parcelamento.
Regiões: Norte lidera, Nordeste vem em seguida
O uso dos meios de pagamento varia conforme a região do país. O Norte continua liderando o uso do Pix em bares e restaurantes, com participação média de 29,8% nas vendas de salão e balcão. O número supera os 25,5% registrados no levantamento anterior da Abrasel e também é maior que a participação do cartão de débito, de 24,5%.
O Nordeste aparece em seguida, com 24,2%. Lá, o cartão de débito responde por 23,4%. Nas demais regiões, o Pix ocupa a terceira posição entre os meios de pagamento. No Sudeste, representa 18,1% das transações. No Centro-Oeste, 17,9%. No Sul, 16,5%.
Ainda assim, a Abrasel considera o sistema um meio de pagamento consolidado em todo o país. O dinheiro em espécie, por sua vez, continua perdendo espaço. Em todas as regiões, sua participação permanece abaixo de 11% das vendas. Para a Abrasel, os números evidenciam o avanço da digitalização do consumo no país.
O que diz a Abrasel sobre o Pix
"O cliente quer rapidez, praticidade e segurança no momento do pagamento. Ao mesmo tempo, o empresário busca soluções que reduzam custos e tragam mais previsibilidade ao fluxo de caixa. O Pix conseguiu atender a essas duas necessidades e, por isso, se tornou uma ferramenta essencial para os bares e restaurantes", afirmou, em nota, o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci.
Solmucci também destacou o potencial do sistema além do pagamento em si. "O Pix não é apenas uma forma de pagamento. Ele cria oportunidades para que bares e restaurantes desenvolvam programas de fidelidade, integrem pedidos digitais e ofereçam novas experiências ao consumidor, além de abrir espaço para mais eficiência, inovação e competitividade no setor."
O que isso significa para o consumidor
Para quem frequenta bares e restaurantes, o Pix muda a experiência de pagamento. A fila na maquininha diminui, o troco deixa de ser problema e a conta fecha mais rápido. O mesmo vale para o comerciante, que ganha previsibilidade e reduz custos com dinheiro em espécie.
A tendência é que o Pix continue crescendo, especialmente se novas funcionalidades forem incorporadas, como integração com programas de fidelidade e pedidos digitais. O consumidor que ainda usa dinheiro pode começar a notar que cada vez menos estabelecimentos oferecem troco, o que reforça a digitalização do consumo.
Perguntas Frequentes
O Pix é o meio de pagamento mais usado em bares e restaurantes?
Não. O cartão de crédito lidera com 41,5% das vendas presenciais, seguido pelo débito (25,1%) e pelo Pix (20,5%).
Em quais regiões o Pix é mais usado?
No Norte, com 29,8% das vendas, seguido pelo Nordeste, com 24,2%. No Sudeste, a participação é de 18,1%; no Centro-Oeste, 17,9%; e no Sul, 16,5%.
O Pix substituiu o dinheiro em espécie?
Em grande parte, sim. O dinheiro caiu para 8,3% das vendas presenciais, enquanto o Pix cresceu de 16,5% (2024) para 20,5%.
O Pix é mais usado em quais tipos de estabelecimento?
Em alimentação rápida, com 24,6% das vendas. Depois vêm restaurantes especializados (21%), bares e casas noturnas (19,9%) e restaurantes de refeições completas (17%).
O Pix é mais usado por empresas grandes ou pequenas?
Por empresas menores. Em estabelecimentos com faturamento de até R$ 130 mil, o Pix responde por 30,4% das vendas. Em empresas com faturamento acima de R$ 1 milhão, a participação varia entre 14,9% e 17,5%.
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