INPC: deflação em julho e alta de 4,10% em 12 meses
O INPC fechou julho com deflação de 0,01%, mas acumula alta de 4,10% em 12 meses. Entenda o que isso significa para o seu salário.
Rodrigo Vianna · Analista de mercado de trabalho global · 11 de agosto de 2026 · 3 min O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado para a correção anual de salários, fechou julho com deflação de 0,01%. No acumulado de 12 meses, o indicador está em 4,10%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A última vez em que o INPC registrou deflação foi em agosto de 2025, quando caiu 0,21%. No ano de 2026, o índice acumula alta de 3,5%.
O que é o INPC e por que ele importa?
O INPC mede a variação de preços para famílias com renda de um até cinco salários mínimos. É diferente do IPCA, a inflação oficial, que apura a variação para lares com renda de um até 40 salários mínimos. O IBGE informou que o IPCA fechou julho em 0,07% e soma 4,44% em 12 meses, puxado pelo recuo no custo dos alimentos. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.621.
O INPC influencia diretamente a vida de muitos brasileiros, pois o acumulado de 12 meses costuma ser usado para o cálculo do reajuste de salários de diversas categorias ao longo do ano. O salário mínimo, por exemplo, leva o dado de novembro no seu cálculo. O seguro-desemprego, o teto do INSS e o benefício de quem recebe acima do salário mínimo são reajustados com base no resultado do INPC acumulado até dezembro.
Como o INPC é calculado?
No INPC são apurados preços de 367 produtos e serviços, dez a menos que no IPCA. O IBGE confere pesos diferentes aos grupos de preços. No INPC, os alimentos representam cerca de 25% do índice, mais que no IPCA (aproximadamente 21%), pois as famílias de menor renda gastam proporcionalmente mais com comida. Na ótica inversa, o preço de passagem de avião pesa menos no INPC do que no IPCA.
A coleta de preços do INPC é feita em dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Também há coleta em Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
De acordo com o IBGE, a apuração do INPC "tem por objetivo a correção do poder de compra dos salários, através da mensuração das variações de preços da cesta de consumo da população assalariada com mais baixo rendimento" como funciona o IPCA e a inflação oficial no Brasil.
O que a deflação de julho significa para o trabalhador?
A deflação de 0,01% em julho é pequena, mas interrompe uma sequência de altas. No acumulado de 12 meses, o INPC segue em 4,10%, o que indica que os preços ainda subiram no período. Para quem negocia reajuste salarial, o dado de 12 meses é o mais relevante, pois é ele que costuma embasar a correção.
Para o salário mínimo, o dado de novembro será o referencial. Já para benefícios como seguro-desemprego e INSS, o acumulado até dezembro é o que vale. Ou seja, a deflação de julho não muda o cenário de curto prazo, mas pode influenciar o cálculo no fim do ano.
Perguntas Frequentes
O que é deflação?
Deflação é a queda generalizada dos preços. Em julho, o INPC caiu 0,01%, ou seja, os preços ficaram levemente mais baixos em relação a junho.
Qual a diferença entre INPC e IPCA?
O INPC mede a variação de preços para famílias com renda de um até cinco salários mínimos. O IPCA mede para lares com renda de um até 40 salários mínimos.
O INPC afeta o salário mínimo?
Sim. O salário mínimo leva o dado de novembro no seu cálculo. O seguro-desemprego, o teto do INSS e o benefício de quem recebe acima do salário mínimo são reajustados com base no INPC acumulado até dezembro.
Quando o INPC teve a última deflação?
A última deflação do INPC foi em agosto de 2025, quando caiu 0,21%.
Onde o INPC é coletado?
A coleta é feita em dez regiões metropolitanas (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre) e em Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju entenda o cálculo do IPCA e do INPC.