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CNC: endividamento das famílias sobe para 82%, mas inadimplência cai

ResumoA Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio (CNC) registrou em julho endividamento familiar de 82%, o maior patamar histórico. A inadimplência, contudo, recuou para 29,8%, indicando maior capacidade de pagamento das dívidas contraídas. O cenário reflete acesso ampliado ao crédito, mas exige monitoramento do comprometimento de renda das famílias brasileiras.

O endividamento das famílias brasileiras chegou a 82% em julho, o maior índice já registrado. Apesar disso, a inadimplência caiu para 29,8%. Entenda o que isso significa para a economia.

Fernanda Pacheco Fernanda Pacheco · Professora de idiomas e colunista · 06 de agosto de 2026 · 2 min
CNC: endividamento das famílias sobe para 82%, mas inadimplência cai
Local
Brasil
Regime
A combinar
Salário
A combinar
Publicado
06 de agosto de 2026

CNC: endividamento das famílias sobe para 82%, mas inadimplência cai

Em julho, o indicador que mede a proporção de famílias endividadas chegou a 82%, marcando o maior patamar já registrado pelo sexto mês seguido. Em junho, o índice era 81,6%, enquanto que no mesmo mês do ano passado, estava em 78,5%.

Entretanto, a parcela de famílias com dívidas atrasadas, conhecida como inadimplência, recuou para 29,8% em julho. No mês anterior, esse número era de 29,9%, e há um ano, a inadimplência era de 30%.

O tempo médio de pagamento em atraso das contas ficou em 64,6 dias, mostrando uma trajetória de queda desde abril, quando estava em 65,1 dias. Esses dados são parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A pesquisa abrange 18 mil famílias em todo o país, considerando dívidas com cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa. Em média, as famílias têm 29,5% do orçamento atrelado a dívidas, com um tempo médio de comprometimento de 7,2 meses, um leve aumento em relação ao ano passado, que era 7,1 meses.

A CNC observa que o endividamento não deve ser visto apenas como um problema financeiro, mas sim como uma forma de direcionar recursos para o consumo, o que pode aquecer a economia. No entanto, a instituição alerta que a situação se torna preocupante quando as famílias enfrentam dificuldades para honrar seus pagamentos.

O cartão de crédito é o principal responsável pelo endividamento, afetando mais de 85% dos endividados. O levantamento também revela que o endividamento é mais prevalente entre as famílias de renda mais baixa, com 84,9% dos lares que recebem até três salários mínimos endividados. Em contrapartida, entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, a proporção é de 72%.

Quanto à inadimplência, 38,5% das famílias mais pobres enfrentam essa condição, em comparação a 15,1% das mais ricas. Esses dados foram divulgados um dia após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que anunciou a redução da taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano.

Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, afirma que a redução da Selic é um passo importante para melhorar as condições de crédito, embora não traga efeitos imediatos. Ele ressalta que o "elevado comprometimento da renda" mostra que a recuperação da capacidade de consumo das famílias ocorrerá de forma gradual. A CNC projeta que o endividamento deve continuar em alta, atingindo 82,6% em setembro, enquanto a inadimplência deve fechar o mês em 30,3%. ~467 palavras.

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